segunda-feira, 31 de maio de 2010

Enc: ABSURDO, estamos indignadas com a declaração do jogador FELIPE MELO










Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil
do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mémbro da Rede Nacional de Direitos Humanos.
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Assunto: ABSURDO, estamos indignadas com a declaração do jogador FELIPE MELO
Data: Segunda-feira, 31 de Maio de 2010, 15:51


 

 
----- Original Message -----
 
Sent: Monday, May 31, 2010 2:29 PM
Subject: ABSURDO, estamos indignadas com a declaração do jogador FELIPE MELO

Uma mensagem a todos os membros de Rede Social Lei Maria da Penha

A luta pela violência contra a mulher é constante. Ficamos horrorizadas com a infeliz declaração do Jogador Felipe Melo, um dos contratados por Dunga para a seleção brasileira, nesta copa do mundo.

Na coletiva, visivelmente irritado com a qualidade da "bola" que eles jogarão nesta copa, Felipe Melo fez uma
declaração absurda comparando a péssima bola à "mulher de malandro" e a boa "bola" à uma "mulher Patricinha", ao afirmar:

"...A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa
de agora é igual Patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum – disse Melo". 
veja a íntegra aqui.

Realmente não tem muito o que comentar a respeito. Um comentário extremamente infeliz, machista, primeiro pelas caracterizações dadas a mulher (mulher de malandro e mulher patrícia),  e segundo pela referência a violência.

NÃO, Sr. Felipe Melo, nós MULHERES não queremos, não toleramos e  não aceitamos sermos "CHUTADAS" em hipótese alguma. Inclusive, ser "chutada" caracteriza-se CRIME de violência fisica. A cada 15 minutos uma mulher é agredida covardemente no Brasil. Pessoas públicas como este senhor tem que analisar bem o que fala em entrevista.

Nós execramos com veemência tais palavras e estamos indignadas.

Exigimos RETRATAÇÃO.  Citaçoes como estas estão estampadas todos os dias na mídia. Uma atitude totalmente misógena e de total apologia à violência contra as mulheres.

Solicitamos das AUTORIDADES que exijam Retratação. Já enviamos email com o mesmo teor para as assessorias da Confederação Brasileira de Futebol e aguardamos respostas.

Com muita indignação,

Equipe de Moderação e Apoio da Rede Social Lei Maria da Penha
www.leimariadapenha.com.br
Visite Rede Social Lei Maria da Penha em: http://leimariadapenha.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

 

 

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Enc: [FUNDAÇÃO JAQUEIRA] A Fundação Jaqueira precisa de ajuda para sobreviver.










Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
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Assunto: [FUNDAÇÃO JAQUEIRA] A Fundação Jaqueira precisa de ajuda para sobreviver.

Data: Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 15:26

A Fundação Jaqueira precisa de ajuda para sobreviver. Através dos nossos cursos arrecadamos muito pouco para fazer face a tantas despesas. Neste momento necessitamos de doações em dinheiro, em computadores, equipamentos que possam ser utilizados em palestras.

Precisamos urgentemente de parceiros. Se você tiver uma empresa que possa doar computadores portáteis até mesmo usados nós agradecemos. Em nossas visitas precisamos levar para cadastramento de pacientes e registros de suas situações. Também comunicação entre os profissionais. Somos uma rede tentacular, atuamos onde ninguém quer ir ou visitar. Periferias, locais de extrema pobreza. Geralmente, nestes locais nem mesmo existe possibilidade de ônibus ou táxi.

Lidamos diretamente com as questões da violência contra idosos, contra mulheres e contra crianças e adolescentes.

PRECISAMOS DE SUA AJUDA. VOCÊ VAI NEGAR?


fundacaojaqueira@ymail.com


http://www.fundacaojaqueira.org.br
Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos. Um atendimento de qualidade, transformando-se em uma rede tentacular, mantida exclusivamente pelos seus voluntários, a Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos pode agora comemorar a utilidade pública após a realização de 50 mil atendimentos somente em Salvador. Utilidade pública Estadual Lei 11 032 de 30/04/2008 Diário oficial 01/05/2008 Salvador - Bahia

--
Postado por Fundação Jaqueira no FUNDAÇÃO JAQUEIRA em 5/27/2010 03:20:00 PM

 

terça-feira, 25 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Enc: [Vera Mattos] DOSSIÊ MULHER 2010










Vera Mattos

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21.05.2010 - Em sua quinta edição, o Dossiê Mulher apresenta dados sobre a violência contra as mulheres no estado do Rio de Janeiro com base nas ocorrências registradas nas delegacias policiais fluminenses durante o ano de 2009


O Dossiê tem como objetivo traçar um diagnóstico dos principais crimes relacionados à violência contra as mulheres. Foram selecionados e analisados os crimes de estupro, lesão corporal dolosa, ameaça, homicídio doloso e tentativa de homicídio. O estudo apresenta dados do ano de 2009, além de informações relativas ao ano anterior para abordagens comparativas. Trata-se de uma iniciativa do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, que teve início há cinco anos, com dados dos anos de 2004 e 2005. Desde então, são feitas atualizações anualmente.

O Dossiê traz, primeiramente, o histórico de cada delito, mostrando a sua evolução anual, além de uma análise por sexo das vítimas, que apresenta o percentual total de homens e mulheres vítimas dos crimes. A análise leva em conta a importância dos dados relacionais, dando enfoque a aspectos como idade, cor, estado civil e provável relação entre autor/acusado e vítima, sendo possível traçar um perfil das mulheres.

De acordo com a publicação, as mulheres são as maiores vítimas de lesão corporal dolosa (88% do total de vítimas), estupro (73% do total de vítimas - em virtude da mudança proporcionada pela Lei 12.015/09, o estupro, no estudo, corresponde ao somatório dos crimes de atentado violento ao pudor e estupro) e ameaça (66% do total de vítimas).

O relatório traz ainda números alarmantes sobre a relação vítima/acusado. Em mais da metade das ameaças e dos casos de lesão corporal contra as mulheres, os acusados são companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Em casos de estupro, 29% eram pais, padrastos ou parentes das vítimas e, se forem somados os companheiros, ex-companheiros e pessoas conhecidas, é possível concluir que, em 49,3% dos estupros registrados, a vítima conhecia o agressor. Em 30,3% dos registros de tentativa de homicídio e 11,3% de homicídios dolosos, os acusados também eram companheiros ou ex-companheiros das mulheres.
Quanto ao perfil das mulheres, o relatório aponta que, em 56,8% do total de registros de ameaça e em 52,9% dos registros de lesão corporal dolosa, as mulheres tinham entre 25 e 44 anos de idade. Já com relação aos estupros, 58,4% das vítimas tinham entre 0 e 17 anos. O Instituto de Segurança Pública pretende, com a apresentação dos dados, contribuir para a conscientização da sociedade brasileira sobre a necessidade de combater a violência praticada contra as mulheres, aumentando a visibilidade do problema.


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Postado por Vera Mattos no Vera Mattos em 5/23/2010 06:01:00 PM

 

Enc: [RISCO MULHER BRASIL] A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais n...










Vera Mattos

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NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Em relação à edição de sexta-feira (7 de maio) do Boletim "Mais Brasília", com Alexandre Garcia, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde contesta e esclarece as seguintes informações:

1. A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais nem os direitos reprodutivos dos cidadãos. Como o próprio Alexandre Garcia afirmou na sua coluna, "a saúde é direito de todos e dever do Estado". Não permitir que pessoas que têm HIV/aids tenham filhos é tirar delas o direito à cidadania. Negar isso é violar os direitos humanos fundamentais.

2. É a segunda vez que o jornalista discrimina as pessoas que vivem com HIV/aids em suas declarações. Uma lástima e um retrocesso para o jornalismo brasileiro. A primeira vez pressupõe desinformação, a segunda é uma clara demonstração de preconceito. Com o avanço da terapia antirretroviral no Brasil, há comprovado aumento da sobrevida e melhora significativa na qualidade de vida dos soropositivos. O diagnóstico não é mais uma sentença de morte. Pelo contrário, essas pessoas hoje fazem planos, querem casar e constituir família.

3. A afirmação de que o Ministério da Saúde está estimulando pessoas com HIV a engravidarem é equivocada. A decisão de constituir família é pessoal. No caso das pessoas que vivem com HIV, o Ministério da Saúde deve fornecer informações que possibilitem ao profissional de saúde orientar cada pessoa que deseje ter filhos com as informações mais precisas – sempre embasadas na melhor evidência científica disponível. Países como a Itália e a Inglaterra publicaram, recentemente, recomendações semelhantes. Os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) precisam saber sobre os métodos e riscos envolvidos nessa decisão, pois eles possuem esse direito – se assim desejarem – e já o fazem. Não cabe ao governo interferir no desejo da mulher de ter ou não filhos, mas sim permitir que essas mulheres que querem ser mães tenham seus filhos nas condições mais seguras para elas, para seus parceiros e para seus futuros bebês. Isso não é uma novidade. Em 2008, por exemplo, 3 mil mulheres sabidamente soropositivas engravidaram, comprovando essa realidade. O que se percebe na fala do jornalista é um preconceito descabido e uma desinformação que não condiz com o veículo sério do qual ele é porta-voz.


4. Desde meados da década de 1990, seguindo padrões internacionalmente estabelecidos, o Ministério da Saúde dispõe de um conjunto de diretrizes para prevenção da transmissão vertical do HIV. Essas medidas buscam a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de brasileiros e brasileiras. Estudos nacionais e internacionais comprovam que, quando todas as medidas preventivas são tomadas – uso de medicação antirretroviral durante pré-natal e parto, inibição da lactação e tratamento do bebê por seis semanas – a chance de transmissão do HIV da mãe para o bebê é reduzida para menos de 1%. Ao afirmar que a iniciativa "é uma maluquice", o jornalista demonstra desconhecer os avanços científicos que reduzem a possibilidade de transmissão do HIV para o filho. O comentarista também deveria saber que o simples fato de "respingar sangue" de uma mulher infectada pelo HIV, durante o parto, não é suficiente para que ocorra transmissão do vírus. O controle da infecção em ambientes hospitalares pressupõe rotinas com precauções universais, não só em relação ao HIV, mas também no que se refere a outras doenças. Além disso, vários artigos científicos sobre o assunto foram publicados recentemente, mostrando a correlação entre transmissibilidade do HIV quando a carga viral é indetectável no sangue, no esperma e nos fluidos vaginais. Tais estudos tornam mais claros os riscos, dependendo da situação clínica de cada indivíduo.

5. Reduzir o número de crianças infectadas pela transmissão vertical, como vem acontecendo no Brasil, tem sido um avanço. O Ministério da Saúde conta com o apoio da emissora para dar à população a informação correta, sem preconceitos, de forma inclusiva, permitindo que essas pessoas exerçam a sua cidadania. Uma declaração discriminatória, como feita pelo jornalista Alexandre Garcia, traz um enorme prejuízo para às pessoas que vivem com HIV/aids.

Atenciosamente,


Mariângela Simão
Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde


12 de maio de 2010 13:53

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Postado por Vera Mattos no RISCO MULHER BRASIL em 5/23/2010 06:28:00 PM

 

A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais nem os direitos reprodutivos dos cidadãos.

NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Em relação à edição de sexta-feira (7 de maio) do Boletim "Mais Brasília", com Alexandre Garcia, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde contesta e esclarece as seguintes informações:

1. A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais nem os direitos reprodutivos dos cidadãos. Como o próprio Alexandre Garcia afirmou na sua coluna, "a saúde é direito de todos e dever do Estado". Não permitir que pessoas que têm HIV/aids tenham filhos é tirar delas o direito à cidadania. Negar isso é violar os direitos humanos fundamentais.

2. É a segunda vez que o jornalista discrimina as pessoas que vivem com HIV/aids em suas declarações. Uma lástima e um retrocesso para o jornalismo brasileiro. A primeira vez pressupõe desinformação, a segunda é uma clara demonstração de preconceito. Com o avanço da terapia antirretroviral no Brasil, há comprovado aumento da sobrevida e melhora significativa na qualidade de vida dos soropositivos. O diagnóstico não é mais uma sentença de morte. Pelo contrário, essas pessoas hoje fazem planos, querem casar e constituir família.

3. A afirmação de que o Ministério da Saúde está estimulando pessoas com HIV a engravidarem é equivocada. A decisão de constituir família é pessoal. No caso das pessoas que vivem com HIV, o Ministério da Saúde deve fornecer informações que possibilitem ao profissional de saúde orientar cada pessoa que deseje ter filhos com as informações mais precisas – sempre embasadas na melhor evidência científica disponível. Países como a Itália e a Inglaterra publicaram, recentemente, recomendações semelhantes. Os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) precisam saber sobre os métodos e riscos envolvidos nessa decisão, pois eles possuem esse direito – se assim desejarem – e já o fazem. Não cabe ao governo interferir no desejo da mulher de ter ou não filhos, mas sim permitir que essas mulheres que querem ser mães tenham seus filhos nas condições mais seguras para elas, para seus parceiros e para seus futuros bebês. Isso não é uma novidade. Em 2008, por exemplo, 3 mil mulheres sabidamente soropositivas engravidaram, comprovando essa realidade. O que se percebe na fala do jornalista é um preconceito descabido e uma desinformação que não condiz com o veículo sério do qual ele é porta-voz.


4. Desde meados da década de 1990, seguindo padrões internacionalmente estabelecidos, o Ministério da Saúde dispõe de um conjunto de diretrizes para prevenção da transmissão vertical do HIV. Essas medidas buscam a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de brasileiros e brasileiras. Estudos nacionais e internacionais comprovam que, quando todas as medidas preventivas são tomadas – uso de medicação antirretroviral durante pré-natal e parto, inibição da lactação e tratamento do bebê por seis semanas – a chance de transmissão do HIV da mãe para o bebê é reduzida para menos de 1%. Ao afirmar que a iniciativa “é uma maluquice”, o jornalista demonstra desconhecer os avanços científicos que reduzem a possibilidade de transmissão do HIV para o filho. O comentarista também deveria saber que o simples fato de “respingar sangue” de uma mulher infectada pelo HIV, durante o parto, não é suficiente para que ocorra transmissão do vírus. O controle da infecção em ambientes hospitalares pressupõe rotinas com precauções universais, não só em relação ao HIV, mas também no que se refere a outras doenças. Além disso, vários artigos científicos sobre o assunto foram publicados recentemente, mostrando a correlação entre transmissibilidade do HIV quando a carga viral é indetectável no sangue, no esperma e nos fluidos vaginais. Tais estudos tornam mais claros os riscos, dependendo da situação clínica de cada indivíduo.

5. Reduzir o número de crianças infectadas pela transmissão vertical, como vem acontecendo no Brasil, tem sido um avanço. O Ministério da Saúde conta com o apoio da emissora para dar à população a informação correta, sem preconceitos, de forma inclusiva, permitindo que essas pessoas exerçam a sua cidadania. Uma declaração discriminatória, como feita pelo jornalista Alexandre Garcia, traz um enorme prejuízo para às pessoas que vivem com HIV/aids.

Atenciosamente,


Mariângela Simão
Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde


12 de maio de 2010 13:53

Vera Mattos: Liberdade para Vera Mattos. Um dos vídeos proibidos em países contrários a liberdade.

Vera Mattos: Liberdade para Vera Mattos. Um dos vídeos proibidos em países contrários a liberdade.

domingo, 9 de maio de 2010

Enc: [Vera Mattos] Ativistas repudiam declarações do jornalista Alexandre Garcia n...

Assunto: [Vera Mattos] Ativistas repudiam declarações do jornalista Alexandre Garcia n...
Para: verinhamattos@yahoo.com.br
Data: Domingo, 9 de Maio de 2010, 18:38



http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-repudio-as-declaracoes-de-alexandre-garcia.html
9 de maio de 2010 às 10:24

O repúdio às declarações de Alexandre Garcia

Ativistas repudiam declarações do jornalista Alexandre Garcia na rádio CBN sobre gravidez em mulheres com HIV
08/05/2010 – 15h
O jornalista Alexandre Garcia, do Bom Dia Brasil na TV Globo, disse que é "uma maluquice" uma pessoa com HIV engravidar. A declaração foi ao ar nesta última sexta, 7 de maio, na rádio CBN. Ativistas de luta contra a aids repudiam o comentário e dizem que é "inconcebível" uma afirmação como essa depois de 25 anos de história da epidemia.
"O Ministério da Saúde (MS) está estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o MS vá fazer uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e se respingar sangue nele para ver o que vai acontecer. É uma maluquice, estão fazendo brincandeira com a saúde…", disse Garcia (confira na íntegra o áudio).
Os militantes do movimento de luta contra a aids protestam contra a declaração do comentarista. "É inconcebível observar como se aborda questões do HIV/Aids de forma preconceituosa, sem qualquer rigor científico, o que só favorece o aumento da discriminação às pessoas vivendo com HIV/aids", critica Betinho, membro do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo.
Os ativistas discordam da declaração porque os atuais métodos de tratamento existentes contra o HIV podem garantir até 99% de chances de não transmissão do vírus para o bebê.
"Você fez um desserviço à profissão de jornalista e, pior, expressou uma visão anticientífica e infundada, que incentiva condutas discriminatórias e leva informações errôneas à população em geral", diz o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, em carta aberta.
As declarações de Garcia foram ao ar na CBN quando o jornalista criticou também o programa de parto humanizado do Ministério da Saúde.
Nesta última semana, o governo divulgou que estuda desenvolver um plano para ajudar soropositivos a ter filhos e o fato ganhou grande destaque na mídia.
Mas, esta não é a primeira vez que o comentarista diz ser contra a gravidez em mulheres portadoras do HIV. Em 2008, opinou na TV Globo que "quem antes de uma gravidez se identificar como portadora do HIV, melhor que não engravide" – veja a repercussão do caso na época.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Leia a seguir os protestos dos ativistas divulgados por e-mail na íntegra.
Carta aberta a Alexandre Garcia – uma carta contra o preconceito
"Em resposta a uma ética da exclusão, estamos todos desafiados a praticar uma ética da solidariedade" (Betinho)
Prezado Alexandre Garcia,
Sou Toni Reis, professor, especialista em sexualidade humana, mestre em filosofia na área de ética e sexualidade, e doutorando na área de educação sexual. Trabalho com HIV/aids desde 1985. Defendo a liberdade, a igualdade e o respeito à diversidade humana. Defendo também a livre expressão da imprensa, desde que não incite preconceito, discriminação e violência.
Você é um dos jornalistas mais renomados do Brasil na área política, reconhecido e premiado nacional e internacionalmente. Você é um grande formador de opinião e com certeza já está na história do jornalismo brasileiro.
Contudo, chegou até mim a sua fala na CBN no dia 7 de maio, aqui transcrita:
"… o Ministério da Saúde está estimulando agora a pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o MS vá fazer uma 'cesária' pela terceira vez em uma mulher com HIV e respingar sangue nele (MS) para ver o que vai acontecer. É uma maluquice, estão fazendo brincadeira com a saúde…" (http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm)
Sinto-me obrigado a escrever esta carta como consequência de suas declarações. Nas palavras da minha falecida mãe, quando eu errava, ela falava para mim "você está jogando água fora da bacia". No meu entendimento, como pessoa que está trabalhando com a questão do HIV/aids desde 1985, quero dizer que você jogou água fora da bacia e respingou a água suja do preconceito em muita gente. Quero dizer que atitudes como esta reforçam o preconceito e o estigma contra as pessoas que vivem com HIV/aids.
Relembro o Art. 2º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que diz "a divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública." Com esta frase você fez um desserviço à profissão de jornalista e, pior, expressou uma visão anticientífica e infundada, que incentiva condutas discriminatórias e leva informações errôneas à população em geral, além de ser machista em culpar a mulher e negar-lhe os direitos sexuais e reprodutivos. Infelizmente, não é a primeira vez que você faz esta mesma afirmação.
É preciso se basear em informações atualizadas. Foi implantado em Curitiba há 11 anos (em 1999) o pioneiro Programa Mãe Curitibana, de prevenção à transmissão vertical do HIV (da mãe HIV positiva para o bebê), de modo que caiu para em torno de 1% esta forma de transmissão. E este programa é referência e foi replicado no país inteiro. Assim, com acesso à atenção médica e medicação durante a gravidez e o parto e no período pós-parto, as mulheres HIV positivas podem engravidar e ter filhos HIV negativos. A aids é uma doença crônica que hoje tem tratamento e é um direito das mulheres HIV positivas que assim querem ter filhos. O direito à maternidade deve ser para todas as mulheres, inclusive as mulheres HIV positivas.
Para seu conhecimento, existem normas de biossegurança em todo o Sistema Único de Saúde. Todo profissional de saúde sabe que deve segui-las e utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) com todos os usuários, de forma indiferenciada. Caso haja um acidente, há tratamento emergencial.
No início dos anos 1980, o preconceito quando a aids surgiu era tanto que foi chamada de "câncer gay" Eu como gay na época me senti o próprio sinônimo da doença. Para vencer minha ignorância, fui me informar, estudar e percebi que eu estava sendo iludido por uma mídia despreparada e preconceituosa. Felizmente, parte da mídia já mudou.
O Ministério da Saúde, através do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, vem cumprindo – sim – seu dever constitucional, e tem sido referência mundial na assistência e na prevenção do HIV/Aids, por ter uma política baseada nos direitos humanos, na dignidade humana e no respeito aos direitos sexuais e reprodutivos.
Sua fala não foi de bom tom. Sério, Alexandre Garcia, profissional que admiro. Sugiro a você buscar informações corretas sobre o assunto.Estamos à disposição. Quero dizer que hoje no Brasil temos em torno de 700 organizações não governamentais que trabalham com o HIV/aids e os direitos humanos das pessoas que vivem com HIV/aids. Queremos contar com você como aliado para defender os direitos humanos, inclusive os direitos sexuais e reprodutivos, de todas as pessoas, em especial as mulheres que vivem com HIV/aids.
As pessoas vivendo com HIV/aids, assim como todo mundo, merecem respeito, dignidade e carinho. Por um mundo sem violência, sem discriminação e sem preconceito.
Nas palavras do Betinho, "a aids não é mortal, mortais somos todos nós. A aids terá cura, e o remédio hoje é a solidariedade."
Alexandre Garcia, convido você a ser solidário às pessoas que vivem com HIV/aids.
Curitiba, 08 de maio de 2010
Toni Reis
Presidente da ABGLT
Prezados(as) sres(as),
Assim como outros companheiros(as) eu fiquei profundamente indignidado e até mesmo me senti afrontado com a fala do Alexandre Garcia na CBN hoje.
É inaceitável que após 25 anos de epidemia no Brasil um jornalista tão conhecido que é também formador de opinião venha a público manifestar esse desserviço na luta contra aids, e pela segunda vez, a primeira vez foi em pleno jornal Bom Dia Brasil onde afirmava que mulher soropositiva não podia ter filho. É inconcebível observar como se aborda questões do HIV/Aids de forma preconceituosa e destituido de qualquer rigor científico o que só favorece o aumento da discriminação e do estigma às Pessoas Vivendo com HIV/Aids.
Eu tive o cuidado de escrever a fala que diz textualmente:
"…agora também o Ministério da Saúde está estimulando pessoa com HIV engravidar, eu duvido que o MS vai fazer uma cesária pela terceira vez, e se respinga sangue sobre ele (MS)? para ver o que vai acontecer com ele (MS)!. Uma maluquice tão brincando com a saúde…"
Observa-se o grau de desconhecimento sobre o HIV/Aids e sobre os eficazes métodos de reprodução assistida disponiveis hoje para PVHA que chegam a 99% de chances de NÃO transmissão do HIV para o bebê, mais do que isso, por pior que esteja a saúde pública no país, em um procedimento de cesariana se deve admitir que se tomem todos os cuidados para que não haja contato sanguineo entre paciente e profissionais de saúde, seja a parturiente soropositiva ou não, portanto não se admite que "sangue se respingue" conforme é ilustrado em sua figura de linguagem.
Mais do que uma afronta aos direitos constitucionais, civis e sociais isso se caracteriza como grave violação dos Direitos Humanos uma vez que fere diretamente Direitos inalienáveis a Vida, a Liberdade, a Família e a Reprodução.
Portanto, eu e outros militantes sugerimos aos ativistas do Brasil, especialmente o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas que enviem seus manifestos de desagravo e que os Fóruns Estaduais de ONG/AIDS, as Redes de pessoas vivendo com HIV/AIDS e a Articulação Nacional em HIV/AIDS enviem documentos formais de repúdio a essa equivocada fala.
Vale lembrar que domingo é dia das mães e não poderia ter sido um momento mais infeliz e inoportuno para tecer tal comentário sobre mães e sobre aquelas que sonham ser.
Atenciosamente,
José Roberto Pereira / betinho
Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo
Projeto Bem-Me-Quer
Representante na CNAIDS / Região SUDESTE
Coordenador Nacional PRPH www.prph.org





 

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Postado por Vera Mattos no Vera Mattos em 5/09/2010 06:38:00 PM

 

Enc: [Vera Mattos] Governo e organizações da mulher defendem igualdade na divisão ...










Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
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--- Em dom, 9/5/10, Vera Mattos <veramattos@ymail.com> escreveu:

De: Vera Mattos <veramattos@ymail.com>
Assunto: [Vera Mattos] Governo e organizações da mulher defendem igualdade na divisão ...
Para: verinhamattos@yahoo.com.br
Data: Domingo, 9 de Maio de 2010, 18:32



 

Governo e organizações da mulher defendem igualdade na divisão de trabalho doméstico

Da Agência Brasil

Brasília – As mulheres brasileiras se envolvem com o trabalho doméstico cerca de duas a três vezes mais que os homens. Segundo pesquisa feita pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) em 2007, enquanto as mulheres dedicam 27 horas semanais às tarefas do lar, os homens passam 10 horas.

Rebecca Tavares, representante do Unifem Brasil e Cone Sul, acredita que a ideia de que a mulher é a responsável por cuidar da casa é um preconceito cultural e universal. "Não é só o Brasil, é o mundo todo. Mas alguns países do norte da Europa já estão mudando isso", afirma.

De acordo com a representante, a sociedade não sabe a importância da divisão do trabalho doméstico entre o casal. "Trabalhar em casa é um impedimento para a ascensão profissional da mulher", opina. Como primeiro passo para a mudar a situação, ela aconselha que governo e sociedade promovam uma campanha de conscientização.

Para Rebecca, é necessário ainda que o governo ofereça incentivos fiscais a empresas que reconhecem o cargo que a mulher ocupa fora do trabalho. Ela defende maior flexibilidade de horário para as mulheres, creches nas instituições e aumento do tempo da licença-paternidade para 180 dias, mesmo tempo da licença-maternidade.

A Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é um acordo de promoção da igualdade de oportunidades e tratamento para homens e mulheres trabalhadores com responsabilidades familiares, seja com filhos ou qualquer parente que precise dos cuidados. 

Segundo a gerente de projetos na área do trabalho da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Eunice Léa de Moraes, a proposta de assinatura do acordo pelo Brasil precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas o governo e os trabalhadores já se posicionaram a favor. Apenas o setor empresarial é contra a adesão.

Eunice disse que as medidas do governo para diminuir a carga de trabalho doméstico da mulher são projetos de infraestrutura. Entre eles estão a ampliação de creches e centros de saúde e um projeto para que a licença-maternidade seja estendida a todas as trabalhadoras. Ela afirma ainda que a OIT, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e a SPM, realizou campanhas e seminários  sobre a Convenção 156 e a importância do acordo.
 
 
Edição: Rivadavia Severo





 

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Postado por Vera Mattos no Vera Mattos em 5/09/2010 06:32:00 PM

 

Ativistas repudiam declarações do jornalista Alexandre Garcia na rádio CBN sobre gravidez em mulheres com HIV .



http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-repudio-as-declaracoes-de-alexandre-garcia.html
9 de maio de 2010 às 10:24

O repúdio às declarações de Alexandre Garcia

Ativistas repudiam declarações do jornalista Alexandre Garcia na rádio CBN sobre gravidez em mulheres com HIV
08/05/2010 – 15h
O jornalista Alexandre Garcia, do Bom Dia Brasil na TV Globo, disse que é "uma maluquice" uma pessoa com HIV engravidar. A declaração foi ao ar nesta última sexta, 7 de maio, na rádio CBN. Ativistas de luta contra a aids repudiam o comentário e dizem que é "inconcebível" uma afirmação como essa depois de 25 anos de história da epidemia.
"O Ministério da Saúde (MS) está estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o MS vá fazer uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e se respingar sangue nele para ver o que vai acontecer. É uma maluquice, estão fazendo brincandeira com a saúde…", disse Garcia (confira na íntegra o áudio).
Os militantes do movimento de luta contra a aids protestam contra a declaração do comentarista. "É inconcebível observar como se aborda questões do HIV/Aids de forma preconceituosa, sem qualquer rigor científico, o que só favorece o aumento da discriminação às pessoas vivendo com HIV/aids", critica Betinho, membro do Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo.
Os ativistas discordam da declaração porque os atuais métodos de tratamento existentes contra o HIV podem garantir até 99% de chances de não transmissão do vírus para o bebê.
"Você fez um desserviço à profissão de jornalista e, pior, expressou uma visão anticientífica e infundada, que incentiva condutas discriminatórias e leva informações errôneas à população em geral", diz o presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), Toni Reis, em carta aberta.
As declarações de Garcia foram ao ar na CBN quando o jornalista criticou também o programa de parto humanizado do Ministério da Saúde.
Nesta última semana, o governo divulgou que estuda desenvolver um plano para ajudar soropositivos a ter filhos e o fato ganhou grande destaque na mídia.
Mas, esta não é a primeira vez que o comentarista diz ser contra a gravidez em mulheres portadoras do HIV. Em 2008, opinou na TV Globo que "quem antes de uma gravidez se identificar como portadora do HIV, melhor que não engravide" – veja a repercussão do caso na época.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Leia a seguir os protestos dos ativistas divulgados por e-mail na íntegra.
Carta aberta a Alexandre Garcia – uma carta contra o preconceito
"Em resposta a uma ética da exclusão, estamos todos desafiados a praticar uma ética da solidariedade" (Betinho)
Prezado Alexandre Garcia,
Sou Toni Reis, professor, especialista em sexualidade humana, mestre em filosofia na área de ética e sexualidade, e doutorando na área de educação sexual. Trabalho com HIV/aids desde 1985. Defendo a liberdade, a igualdade e o respeito à diversidade humana. Defendo também a livre expressão da imprensa, desde que não incite preconceito, discriminação e violência.
Você é um dos jornalistas mais renomados do Brasil na área política, reconhecido e premiado nacional e internacionalmente. Você é um grande formador de opinião e com certeza já está na história do jornalismo brasileiro.
Contudo, chegou até mim a sua fala na CBN no dia 7 de maio, aqui transcrita:
"… o Ministério da Saúde está estimulando agora a pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o MS vá fazer uma 'cesária' pela terceira vez em uma mulher com HIV e respingar sangue nele (MS) para ver o que vai acontecer. É uma maluquice, estão fazendo brincadeira com a saúde…" (http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm)
Sinto-me obrigado a escrever esta carta como consequência de suas declarações. Nas palavras da minha falecida mãe, quando eu errava, ela falava para mim "você está jogando água fora da bacia". No meu entendimento, como pessoa que está trabalhando com a questão do HIV/aids desde 1985, quero dizer que você jogou água fora da bacia e respingou a água suja do preconceito em muita gente. Quero dizer que atitudes como esta reforçam o preconceito e o estigma contra as pessoas que vivem com HIV/aids.
Relembro o Art. 2º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que diz "a divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública." Com esta frase você fez um desserviço à profissão de jornalista e, pior, expressou uma visão anticientífica e infundada, que incentiva condutas discriminatórias e leva informações errôneas à população em geral, além de ser machista em culpar a mulher e negar-lhe os direitos sexuais e reprodutivos. Infelizmente, não é a primeira vez que você faz esta mesma afirmação.
É preciso se basear em informações atualizadas. Foi implantado em Curitiba há 11 anos (em 1999) o pioneiro Programa Mãe Curitibana, de prevenção à transmissão vertical do HIV (da mãe HIV positiva para o bebê), de modo que caiu para em torno de 1% esta forma de transmissão. E este programa é referência e foi replicado no país inteiro. Assim, com acesso à atenção médica e medicação durante a gravidez e o parto e no período pós-parto, as mulheres HIV positivas podem engravidar e ter filhos HIV negativos. A aids é uma doença crônica que hoje tem tratamento e é um direito das mulheres HIV positivas que assim querem ter filhos. O direito à maternidade deve ser para todas as mulheres, inclusive as mulheres HIV positivas.
Para seu conhecimento, existem normas de biossegurança em todo o Sistema Único de Saúde. Todo profissional de saúde sabe que deve segui-las e utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) com todos os usuários, de forma indiferenciada. Caso haja um acidente, há tratamento emergencial.
No início dos anos 1980, o preconceito quando a aids surgiu era tanto que foi chamada de "câncer gay" Eu como gay na época me senti o próprio sinônimo da doença. Para vencer minha ignorância, fui me informar, estudar e percebi que eu estava sendo iludido por uma mídia despreparada e preconceituosa. Felizmente, parte da mídia já mudou.
O Ministério da Saúde, através do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, vem cumprindo – sim – seu dever constitucional, e tem sido referência mundial na assistência e na prevenção do HIV/Aids, por ter uma política baseada nos direitos humanos, na dignidade humana e no respeito aos direitos sexuais e reprodutivos.
Sua fala não foi de bom tom. Sério, Alexandre Garcia, profissional que admiro. Sugiro a você buscar informações corretas sobre o assunto.Estamos à disposição. Quero dizer que hoje no Brasil temos em torno de 700 organizações não governamentais que trabalham com o HIV/aids e os direitos humanos das pessoas que vivem com HIV/aids. Queremos contar com você como aliado para defender os direitos humanos, inclusive os direitos sexuais e reprodutivos, de todas as pessoas, em especial as mulheres que vivem com HIV/aids.
As pessoas vivendo com HIV/aids, assim como todo mundo, merecem respeito, dignidade e carinho. Por um mundo sem violência, sem discriminação e sem preconceito.
Nas palavras do Betinho, "a aids não é mortal, mortais somos todos nós. A aids terá cura, e o remédio hoje é a solidariedade."
Alexandre Garcia, convido você a ser solidário às pessoas que vivem com HIV/aids.
Curitiba, 08 de maio de 2010
Toni Reis
Presidente da ABGLT
Prezados(as) sres(as),
Assim como outros companheiros(as) eu fiquei profundamente indignidado e até mesmo me senti afrontado com a fala do Alexandre Garcia na CBN hoje.
É inaceitável que após 25 anos de epidemia no Brasil um jornalista tão conhecido que é também formador de opinião venha a público manifestar esse desserviço na luta contra aids, e pela segunda vez, a primeira vez foi em pleno jornal Bom Dia Brasil onde afirmava que mulher soropositiva não podia ter filho. É inconcebível observar como se aborda questões do HIV/Aids de forma preconceituosa e destituido de qualquer rigor científico o que só favorece o aumento da discriminação e do estigma às Pessoas Vivendo com HIV/Aids.
Eu tive o cuidado de escrever a fala que diz textualmente:
"…agora também o Ministério da Saúde está estimulando pessoa com HIV engravidar, eu duvido que o MS vai fazer uma cesária pela terceira vez, e se respinga sangue sobre ele (MS)? para ver o que vai acontecer com ele (MS)!. Uma maluquice tão brincando com a saúde…"
Observa-se o grau de desconhecimento sobre o HIV/Aids e sobre os eficazes métodos de reprodução assistida disponiveis hoje para PVHA que chegam a 99% de chances de NÃO transmissão do HIV para o bebê, mais do que isso, por pior que esteja a saúde pública no país, em um procedimento de cesariana se deve admitir que se tomem todos os cuidados para que não haja contato sanguineo entre paciente e profissionais de saúde, seja a parturiente soropositiva ou não, portanto não se admite que "sangue se respingue" conforme é ilustrado em sua figura de linguagem.
Mais do que uma afronta aos direitos constitucionais, civis e sociais isso se caracteriza como grave violação dos Direitos Humanos uma vez que fere diretamente Direitos inalienáveis a Vida, a Liberdade, a Família e a Reprodução.
Portanto, eu e outros militantes sugerimos aos ativistas do Brasil, especialmente o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas que enviem seus manifestos de desagravo e que os Fóruns Estaduais de ONG/AIDS, as Redes de pessoas vivendo com HIV/AIDS e a Articulação Nacional em HIV/AIDS enviem documentos formais de repúdio a essa equivocada fala.
Vale lembrar que domingo é dia das mães e não poderia ter sido um momento mais infeliz e inoportuno para tecer tal comentário sobre mães e sobre aquelas que sonham ser.
Atenciosamente,
José Roberto Pereira / betinho
Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo
Projeto Bem-Me-Quer
Representante na CNAIDS / Região SUDESTE
Coordenador Nacional PRPH www.prph.org



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Paulo Ávila

 

Rede Desarma Brasil. O depoimento de Vitória Bernardes no Congresso Nacional emociona e nos chama para o trabalho da não-violência e da construção da Cultura de Paz.


Assunto: [desarmabrasil] O depoimento de Vitória Bernardes no Congresso Nacional emociona e nos chama para o trabalho da não-violência e da construção da Cultura de Paz.

 

 

O depoimento de Vitória Bernardes no Congresso Nacional emociona e nos chama para o trabalho da não-violência e da construção da Cultura de Paz.

               "um exemplo de VIDA, nos dá lição de como lidar com as adversidades saindo do papel passivo de vítima."


Boa tarde!
Primeiramente, é um prazer participar deste momento, importante a todos, mas intimamente significativo pra mim.

Gostari a de relembrar pequenos trechos de reportagens divulgadas na imprensa que, em comum, possuem como protagonista a arma de fogo:

1. Alcides do Nascimento Lins, 22 anos, estudante de biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), segundo testemunhas, foi morto por não saber informar onde estava o vizinho, procurado pelos autores dos disparos (06/02/2010)
2. Maria Islaine de Morais, 31 anos, estava trabalhando quando foi surpreendida pelo ex-marido. Ele atirou sete vezes, sem que ela reagisse (21/01/2010)
3. Daniel Duque, 18 anos, morre ao ser baleado em saída de boate. (28/06/2008)
4. Gabriela Prado Maia Ribeiro, 14 anos, pela primeira vez pegava o metrô s ozinha. Ficou no meio do fogo cruzado. Foi atingida no lado direito do peito, não resistiu e morreu. (25/03/2003)
5. Vitória Bernardes, jovem atingida enquanto utilizava telefone público(31/12/ 2001).

Aos 16 anos de idade fui vítima de uma bala perdida. Sobrevivi, mas carrego em mim, visivelmente, a marca do poder devastador de uma arma. Por mais dificuldades que a nova realidade me imponha, estou aqui, podendo reformular sonhos, construir objetivos, dar CONTINUIDADE A VIDA. Chance essa, arrancada brutalmente das pessoas citadas acima, entre tantas e tantas outras. Ao citar cada nome, o gosto de sangue me retorna a boca.

Num primeiro momento, podemos dizer que a arma de fogo sim, é a "atriz principal&q uot ;, mas garanto, dentro da pluralidade de cada história citada e das diferentes formas que ocorreram, a verdadeira protagonista é a DOR, o sofrimento.

Mas me perguntarão então: "Qual a finalidade de relembrar estes casos? Contar a minha história?". Esta é a única forma de não esquecermos os rostos, as histórias interrompidas, as famílias marcadas, por detrás dos números, números estes fundamentais, pois embasam, provam a importância do que viemos fazer aqui hoje.

Engana-se quem acredita que o tema desarmamento é o foco. Aqui queremos evidenciar o direito maior existente a todos, O DIREITO A VIDA! O Estatuto do Desarmamento e a campanha de entrega voluntária de armas comprovaram uma lógica simples: menos arm as = menos mortes (ou vidas permanentemente modificadas) .

Muito se fala sobre violência, insegurança, mas pouco se debate ou se age. A partir do referendo (proibição da comercializaçã o de armas de fogo e munições), comecei a me envolver com a busca pelo desarmamento. Foi a forma que encontrei de atuar perante a violência, saindo do papel passivo de vítima.

Minha primeira experiência profissional, como psicóloga, foi com adolescentes em conflito com a lei. Num primeiro momento, senti receio que minha deficiência pudesse, de alguma forma, chocá-los, deixá-los desconfortáveis. Para minha ingênua surpresa, grande parte daqueles adolescentes já sabia perfeitamente as sequelas geradas por uma arm a de fogo. Pela primeira vez compreendi porque, mesmo com frequentes notícias sobre bala perdida, a minha, em particular, causava espanto em muitas pessoas. Classe média, branca, mulher... Estou fora do "grupo de risco", onde ainda se reproduz a idéia de imunidade em relação a isto, ao contrário destes jovens, que são as principais vítimas. Com eles aprendi muito sobre e como compreender a violência e a me envolver ainda mais nesta causa.

Não sei o que levou a cada um defender esta idéia. Apenas sei que, de alguma forma, ter o meu nome ligado a esta luta é uma forma de ressignificar o que ocorreu comigo e mais, sinto-me responsável em ser a voz calada de tantos que perderam suas vidas. Apoiar o Instituto Sou da Paz e falar sobre este assunto faz com que cada vez mais eu deixe de s er APENAS uma vítima, mas sim sobrevivente, que não quer ter mais em sua vida, nem a de seu próximo, protagonistas como arma de fogo, sofrimento.. . Que acredita que não só ela, mas todos podem ser responsáveis por suas escolhas. Ou seja, sermos nós mesmos os verdadeiros protagonistas de nossa história.

Muito obrigada!
Vitória Bernardes
Conheça um pouco mais:
http://movimentosup eracao.ning. com/profile/ VitoriaBernardes
http://twitter. com/toia_ bernardes/ font>


Representente do Movimento Londrina Pazeando estava presente ao evento em Brasília.
Compromisso firmado: Polícia Federal e parlamentares em defesa do Estatuto do Desarmamento
FONTE: Instituto Sou da Paz ( http://www.soudapaz .org.br/ )
"Saímos desta reunião bastante satisfeitos. São raras as oportunidades e mais raras ainda as organizações que conseguem ser ouvidas no Congresso nacional e efetivamente pautar as a&cce dil;ões dos órgãos públicos. Vamos monitorar de perto o andamento de cada um dos compromissos firmados e esperamos contar com o apoio de todos", comemora e convida o diretor.
Na quinta feira dia 29 de abril, a equipe do Instituto Sou da Paz esteve no Congresso Nacional apresentando, para um plenário cheio, os resultados da pesquisa Implementação do Estatuto do Desarmamento: do papel para a prática. A pesquisa avaliou a implementação da lei em 10 estados brasileiros e concluiu que, apesar de grandes e significativos avanços, alguns aspectos importantes não saíram do papel. (para baixar o Resumo Executivo ou a pesquisa completa, CLIQUE AQUI).

Compunham a mesa Denis Mizne, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Dr. Celso Yamashita, representando o Ministério da Justiça, a deputada federal Marina Magessi, o deputado federal José Genoíno, o delegado Marcus Vinícius Dantas, chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas e o Coronel Clovis Pinto Ilha da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército. Após a apresentação do diretor do Sou da Paz, foi convidado para também compor a mesa o delegado Adelar Anderle, Coordenador Geral de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal.

"Nosso grande objetivo ao lançar a pesquisa no Congresso foi, primeiro contribuir com os parlamentares oferecendo informação qualificada e propostas concretas de melhorias para que eles continuem atuando em defesa da lei, e depois cobrar dos órgãos responsáveis pelo controle de armas no país, em especial da PF e do Exército, que atuem com rigor para sanar os problemas apontados pela pesquisa", explica Denis.

Esse esforço deu resultado. "Saímos de Brasília com compromissos públicos extremamente importantes firmados", comemora Denis. O deputado federal José Genoíno se comprometeu a encaminhar, junto com o Instituto, as conclusões da pesquisa ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, ao ministro da Defesa, Nelson Jobim e ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Também, em parceria c om a deputada federal Marina Magessi, se comprometeu a apresentar um projeto de lei com foco na retirada do mecanismo de disparo das armas de colecionadores (leia mais na pesquisa).

O delegado Dantas, da PF, concordou com a proposta trazida pela pesquisa de criar um grupo de coordenação nacional do controle de armas, composto por Exército, Polícia Federal e Ministério da Justiça. Além disso, o delegado afirmou que a Polícia Federal já está estudando um novo modelo de banco de dados balístico, que, de acordo com a lei já deveria ter sido criado. Afirmou ainda que, com o apoio do Ministério da Justiça está desenvolvendo uma nova versão do SINARM (banco de dados da PF) com nova tecnologia e que já será integrado ao SIGMA (sistema de dados do Exército ). "A criação do banco de dados balístico e a integração dos sistemas é urgente, focos nas nossas recomendações e ter o compromisso de que essas duas medidas estão sendo ou serão encaminhadas é muito importante", completa Denis.

Já o Coronel Ilha, representante do Exército, afirmou que levaria as recomendações da pesquisa ao conhecimento do Comando do Exército, para avaliação.

Por sua vez, o delegado da PF Adelar Anderle explicou que desde 2006 a Polícia Federal vem intensificando a fiscalização das empresas de segurança privada, criando novas regras para controlar as armas em poder destas instituições e se co mpro meteu a continuar exigindo rigor no registro e controle de todas as armas em poder dos vigilantes.

 
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Enc: DIA DAS MÃES










Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil
do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mémbro da Rede Nacional de Direitos Humanos.
Membro do Estado de Paz.
Visitem:

http://www.veramattos.com.br
http://www.fundadacaojaqueira.org.br
http://www.forummulheresmercosul.blogspot.com




DIA DAS MÃES

Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

 

Enc: Mulheres que amam demais.


 



Vera Mattos

Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil
do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil
Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Mémbro da Rede Nacional de Direitos Humanos.
Membro do Estado de Paz.
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domingo, 2 de maio de 2010

Violência sem sangue. O crime praticado contra as mulheres. Artigo e vídeo de Vera Mattos.


VIOLÊNCIA SEM SANGUE.O CRIME PRATICADO CONTRA AS MULHERES.

Vera Mattos*

Hei mulher! Por que você permitiu aquele primeiro tapa?

Por que você permitiu aquela primeira calúnia?

Aquela primeira injúria, aquela primeira difamação? Hei mulher! Será que você lembra quando tudo aconteceu? Era uma brincadeira entre você e ele... talvez até a situação já vinha se repetindo...mas tudo era tão leve e você acabava sorrindo, relevando, deixando para analisar depois. Temia ser chata, desagradável e acreditava que seria bom fazer concessões. Algumas vezes pensava que a causa era a bebida, sempre perdoada pois permitida; acreditava sinceramente que o homem cansado, frustrado, tinha todas as justificativas do mundo para desabafar, para liberar em você e na família os sentimentos agressivos.

Além disso, havia a vergonha das amigas, dos amigos, dos vizinhos, dos colegas de trabalho. E quanto a manchas roxas na pele? O que dizer mesmo? Topadas, uma pancadinha à toa, esbarrou em algum móvel, caiu em casa, e cada dia mais uma desculpa. Quando você pensava que estava enganando aos outros enganava principalmente a você mesma.

Agora, volte ao primeiro tapa, a primeira pancada. Doeu?

Hei mulher! Responde hoje, exatamente nesta hora que você está decidindo ir até uma Delegacia e ainda assim procura justificar este seu desejo de ir, de se expor, de falar de sua vida pessoal ou do pouco que ficou dela.

Será que com todas acontece assim? Ou seria apenas com você? Lembra quando ele gritava com você? Dizia que você era gorda, estava acima do peso? Ou quando dizia que a cor do seu cabelo estava ridícula? Ou quando se referia a sua pouca capacidade intelectual? E o desprezo hein?

Você sentiu na pele o desprezo quando ele disso que seu cheiro não era bom, que cheirava a cozinha, a óleo e alho. Mas você conseguia cozinhar para ele. Poderia ter servido cicuta, mas continuou tentando conquistá-lo com a comida de cada dia, velha lição centenária que assegura que homem se “pega pela boca”.

Hei mulher! Acorda! Antes do primeiro tapa este homem ofereceu vários avisos. Ele estabeleceu um vínculo perigoso em que sua parceria foi fundamental: o da violência sem sangue. Todos os dias ele procurava negar a sua existência como mulher. Todos os dias ele dizia que você era menos, era menor, era infinitamente menor do que a mulher que ele sonhou ter, possuir.

A palavra é posse. É muito barato transformar a companheira em empregada sem direito a qualquer obrigação trabalhista. Além disto, dentro da submissão há a existência do sexo, geralmente com dia e hora marcados. Outros homens querem sexo diariamente, pouco se interessando se seu dia foi estafante, estressante, se houve dupla, tripla jornada. Acreditam que você tem que estar disposta e também apresentar uma boa disposição. O seu sonho de Cinderela desabou. Você viu isto? Você sentiu isto?

Estamos no século XXI. Você como eu é do século passado! Se estamos em 2007 evidentemente que qualquer mulher viva hoje é do século passado.

O que quero dizer? É que somos do século passado e agimos como tal. Não barramos a violência em nossas casas, em nossas famílias.

Esperamos que o amor que sonhamos terá a força suficiente para corrigir.

Mas isto é utopia. Tratemos primeiro da denúncia, de buscar a lei, de perder literalmente a vergonha e fazer que estes protótipos de homens morram de vergonha.

Eles é que devem se sentir constrangidos. Eles é que devem temer a repercussão dos fatos na vida profissional, social. Eles é que devem andar assustados pelo fato de terem sido denunciados nas Delegacias Especializadas, nas Promotorias, e de finalmente serem levados ao Fórum Criminal.

E de que você vai ter vergonha? De ter sido violentada psicologicamente? De ter sido brutalmente atacada fisicamente? Hei mulher! A sua alma está sofrendo. Dentro de você há um caos, um buraco, um sentimento de menor valia, e se demorar mais é bem provável que a pouca coragem que você tem desça pelo ralo da pia, pela descarga do banheiro.

Apoio familiar? Aquele que lhe encorajará dizendo siga em frente, siga e denuncie? Este apoio é raro. Muitos dirão que você deve relevar. Muitos dirão que em nome de Deus, em nome de Jesus você deverá perdoar.

Mulher entenda que esta sociedade foi construída para fazer concessões aos homens. Não espere nem mesmo nas delegacias especializadas um atendimento generoso. A razão é que também policiais mulheres são mulheres e também sofrem violência dentro e fora dos seus locais de trabalho. São discriminadas, criticadas e acabam por sucumbir não somente a hierarquia militar, mas a própria insatisfação e ao sentimento de que nada são e nada serão. Haja depressão, haja angústia, haja desespero, haja desejo de se impor. Com arma na mão pensa em liberdade, mas não encontra caminho e chora como se não tivesse força, como se fosse alguém frágil e destreinada. O exemplo da policial que sofre serve para abrir o debate.

Que mulheres somos nós? E afinal quem educou estes homens agressivos, intolerantes, raivosos, desleais? Quem tem ou teve irmãos homens lembra das leis domésticas repetidas pelas mães da época. Era comum dizer que o respeito tinha território e que os garotos estavam aptos a caçarem suas presas. Os bodes estavam soltos para a glória das famílias machistas. As outras famílias tratassem de cuidar de suas cabras e cabritas.

Assim como individualmente se colhe o que se planta, os homens do século passado estão ofertando a educação que receberam. Exercem poder, exercem fascínio. O sexo e a sedução chegam junto. Sabemos que paixão não tem data para começar, mas tem prazo para acabar e isto é fato científico.

Hei mulher! A paixão acabou. O amor se existiu agora é discutível. Você vai ficar aí sofrendo? Qual será o seu primeiro passo?Somente você poderá se ajudar. Somente você poderá dizer não. Procure outras mulheres e converse, desabafe. Fale com quem for possível falar. Não tema o julgamento dos outros ou das outras. Melhor você vivendo e falando do que em uma gaveta do Instituto Médico Legal.

Rompa a relação. Não fique na ameaça. Se você já se sustenta, o temor não deverá existir. Se não se sustenta, certamente tem algum talento e saberá encontrar uma forma de sobreviver.

Mas não tolere o primeiro tapa, a primeira injúria, a primeira calúnia, a primeira difamação.

Ao contrário do que se pensa aí está o ato de amor. Levar aquele que transgride a compreender as suas atitudes. Levar a reflexão positiva do respeito e do amor ao próximo e principalmente à próxima que poderá ser você.

Pense nisto e se mobilize através de ações concretas.

Vera Mattos
Jornalista